Hana cresce, Helder mostra força nas ruas e direita chega dividida à disputa pelo Governo do Pará

A corrida pelo Governo do Pará começou oficialmente neste domingo (16) com um cenário que, apesar de ainda apertado, apresenta uma mudança importante em relação ao início do ano: Hana Ghassan chega ao começo da campanha mais competitiva, enquanto Daniel Santos enfrenta o desafio de consolidar uma oposição de direita que ainda não conseguiu caminhar de forma unificada.
Os números mais recentes ajudam a explicar o equilíbrio. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de julho, Hana aparece com 24% das intenções de voto no primeiro turno, contra 20% de Daniel Santos. Em um eventual segundo turno entre os dois, o levantamento apontou 36% para Hana e 35% para Daniel, configurando empate técnico.
Já o levantamento Real Time Big Data divulgado em 4 de agosto mostrou novamente uma disputa tecnicamente empatada: Hana tinha 31% contra 29% de Daniel no primeiro turno. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 30 de julho e 3 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Mais do que uma fotografia eleitoral, os levantamentos indicam que a largada da campanha acontece sem um favorito isolado. E é justamente nas ruas que Hana começa a apresentar uma vantagem política importante.
A força da máquina e a presença de Helder
A candidatura de Hana tem como principal ativo político a estrutura construída por Helder Barbalho ao longo de seus dois mandatos. O ex-governador deixou o cargo para disputar o Senado e transferiu para a sucessora uma rede política que permanece fortemente mobilizada.
A convenção do MDB consolidou essa estratégia, reunindo Hana, Helder, Chicão e aliados em torno de uma mesma estrutura eleitoral.
No primeiro grande ato de campanha em Belém, neste domingo, essa força apareceu de maneira concreta. Hana iniciou oficialmente sua caminhada pelas ruas do centro da capital, em direção ao Theatro da Paz, acompanhada de Helder Barbalho, do candidato a vice Dirceu Ten Caten, de Chicão e do prefeito Igor Normando.
A campanha divulgou uma estimativa de mais de 100 mil participantes na mobilização. O número é uma estimativa da própria coordenação e, portanto, deve ser tratado com cautela, mas a dimensão visual do ato reforça uma percepção que começa a ganhar espaço na política paraense: a tropa de Helder está mobilizada.
Essa presença nas ruas pode ser especialmente relevante em Belém, onde a eleição tende a ser disputada por um eleitorado mais urbano, conectado às redes sociais e menos dependente das estruturas tradicionais do interior.
Hana chega diferente ao início da campanha
Outro elemento que merece atenção é a mudança na imagem de Hana Ghassan.
Durante boa parte da pré-campanha, a governadora foi apresentada essencialmente como a sucessora escolhida por Helder. Com a aproximação da eleição, porém, Hana passou a ocupar mais espaço próprio, combinando a defesa do legado do atual grupo político com uma tentativa de construir uma identidade eleitoral individual.
O início oficial da campanha favorece esse movimento. A caminhada em Belém colocou Hana no centro da cena, não mais apenas como vice que assumiu o governo, mas como candidata à continuidade do projeto político do MDB.
É uma diferença importante.
Hana parece ter chegado à campanha mais preparada para transformar o apoio de Helder em capital eleitoral próprio.
Daniel tem o desafio de unir a direita
Do outro lado, Daniel Santos tem um ativo relevante: consolidou-se como o principal nome do campo oposicionista e aparece competitivo nas pesquisas. Sua passagem pela Prefeitura de Ananindeua lhe deu visibilidade e uma base política importante na Região Metropolitana.
Mas existe um problema: a direita paraense ainda não fala com uma só voz.
Daniel deixou o PSB e se filiou ao Podemos justamente para assumir um espaço mais claro no campo oposicionista. A movimentação, entretanto, não eliminou a fragmentação desse eleitorado.
A própria existência de outros nomes identificados com a direita ou com o centro-direita dificulta a concentração imediata dos votos oposicionistas. Mário Couto, por exemplo, aparece com 12% no levantamento Real Time Big Data, enquanto Daniel registra 29% e Hana 31%.
A questão estratégica para Daniel, portanto, não é apenas crescer. É conseguir transformar a insatisfação com o grupo de Helder em uma candidatura única e competitiva.
Enquanto isso não acontece, Hana pode se beneficiar da fragmentação do adversário.
A eleição começa de verdade agora
A campanha que começa neste domingo muda a lógica da disputa. Até aqui, candidatos disputavam espaço principalmente por meio de entrevistas, redes sociais, articulações partidárias e pesquisas. A partir de agora, entram em cena carreatas, caminhadas, eventos, propaganda eleitoral e, principalmente, a capacidade de colocar gente na rua.
E, nesse primeiro teste, Hana largou mostrando força.
Isso não significa que a eleição esteja definida — longe disso. As pesquisas mostram justamente o contrário: uma disputa aberta e dentro da margem de erro.
Mas existe uma leitura política possível para a fotografia atual: Hana começou a campanha em uma posição mais confortável do que aquela que apresentava meses atrás, enquanto Daniel precisa resolver rapidamente a equação da direita para evitar que a fragmentação transforme competitividade em derrota.










