Sistema FIEPA reforça parceria institucional com o setor mineral durante V Congresso Técnico Simineral
Federação participa dos debates promovidos pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), em Canaã dos Carajás, e destaca articulação entre indústria, mineração e poder público para transformar a riqueza mineral em desenvolvimento permanente no Pará

Foto: FIEPA.
A atuação integrada entre o setor produtivo, as instituições e o poder público como caminho para ampliar os benefícios econômicos e sociais gerados pela mineração no Pará marcou a participação do Sistema FIEPA no V Congresso Técnico Simineral, realizado em Canaã dos Carajás, no sudeste paraense, nesta quarta-feira, 5. A programação reuniu representantes do setor mineral, gestores públicos, especialistas e lideranças empresariais para discutir os desafios e as oportunidades de uma das atividades mais estratégicas para a economia estadual.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, destacou que a presença do Sistema FIEPA no Congresso traduz a importância da parceria institucional construída com o Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral) e com as empresas do setor.
“A mineração tem uma dimensão estratégica para o Pará e exige um trabalho cada vez mais articulado entre as instituições. A parceria entre FIEPA e Simineral parte desse entendimento: precisamos somar conhecimento, capacidade técnica, formação profissional e conexão empresarial para fazer com que a riqueza produzida no nosso Estado se converta cada vez mais em oportunidades para os paraenses. Por isso, o Sistema FIEPA está presente de forma integrada neste Congresso, contribuindo com diferentes áreas para um debate que interessa ao desenvolvimento de todo o Pará”, afirmou Alex Carvalho.
O Sistema participa do Congresso por meio da FIEPA Redes, representada pelo gerente-executivo Fábio Xerfan, e do SESI e SENAI, representados por Dário Lemos, diretor regional do SENAI Pará e superintendente regional do SESI Pará. A presença conjunta reforça uma atuação que passa pelo desenvolvimento de fornecedores, formação e qualificação profissional, saúde e segurança do trabalho e fortalecimento da competitividade empresarial.
Mineração e legado para os territórios
Alex Carvalho participou como painelista do debate “Mineração e Desenvolvimento Local: como transformar riqueza mineral em legado econômico e social duradouro”, defendendo que o verdadeiro valor da atividade mineral não está apenas no volume de recursos gerados, mas na capacidade de transformar essa riqueza em desenvolvimento permanente para os municípios.
Durante o painel, o presidente da FIEPA destacou que instrumentos como a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) e a Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (TFRM) só cumprem plenamente seu papel quando seus recursos são aplicados de forma estratégica, por meio de planejamento de longo prazo, com participação do poder público, do setor produtivo e da sociedade.
Segundo Carvalho, a mineração representa uma oportunidade histórica para o Pará, mas, por se tratar de uma atividade baseada em recursos finitos, exige que os investimentos realizados hoje preparem os territórios para o futuro, fortalecendo a economia local, a inovação, a qualificação profissional e a diversificação produtiva.
“O brilho da CFEM não está no valor arrecadado, mas na forma como esses recursos são aplicados. O grande desafio é transformar uma riqueza finita em oportunidades permanentes para a população”, afirmou.
O presidente também destacou que o Pará já vem avançando na diversificação de sua base industrial. Segundo ele, a participação da indústria extrativa na composição do setor industrial caiu de cerca de 75% para 42%, demonstrando que o Estado começa a ampliar sua capacidade de agregar valor e desenvolver novas cadeias produtivas.
Nesse contexto, Alex ressaltou os investimentos estruturantes realizados pelo Sistema FIEPA na região de Carajás. Entre eles, a construção da maior Escola de Referência do SESI da Região Norte, em Canaã dos Carajás, que terá capacidade para atender aproximadamente 1.800 alunos da educação básica, além da estrutura do SENAI, preparada para formar cerca de 9 mil profissionais por ano, contribuindo para atender às demandas da indústria e ampliar as oportunidades para a população local.
Outro destaque foi a implantação do novo Hub de Inovação desenvolvido em parceria com a Vale, voltado ao fortalecimento da pesquisa, da tecnologia e da inovação aplicada à indústria. Carvalho também defendeu que parte dos recursos da CFEM possa estimular institutos de pesquisa e projetos de inovação capazes de desenvolver soluções para desafios ambientais e produtivos da mineração.
Ao encerrar sua participação, o presidente da FIEPA entregou aos participantes o Mapa Estratégico da Indústria do Pará, publicação elaborada pelo Sistema FIEPA em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O documento reúne um amplo diagnóstico da economia paraense e estabelece diretrizes estratégicas para o desenvolvimento industrial do Estado até 2032, propondo ações voltadas ao ambiente de negócios, inovação, infraestrutura, qualificação profissional, agregação de valor e sustentabilidade.
“O Pará vive uma janela de oportunidades que precisa ser aproveitada com responsabilidade. Precisamos transformar a força da mineração em desenvolvimento industrial, inovação, conhecimento e geração de oportunidades. O desenvolvimento econômico e a sustentabilidade ambiental não são adversários; precisam caminhar juntos para construir um futuro melhor para o nosso Estado”, concluiu Alex Carvalho.
Durante o mesmo painel, o secretário de Estado da Fazenda do Pará, René de Oliveira e Sousa Júnior, apresentou dados que dimensionam a importância da CFEM para o Estado. Em 2025, a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral no Pará alcançou aproximadamente R$ 3,09 bilhões.
Desse total, o minério de ferro respondeu por R$ 2.333.292.441,23, equivalentes a 75,49% de toda a arrecadação. O minério de cobre aparece na sequência, com R$ 472.744.756,54 (15,30%). Somados, ferro e cobre concentraram 90,79% da CFEM arrecadada no Pará.
O minério de alumínio gerou R$ 173.127.127,13 (5,60%), enquanto o ouro respondeu por R$ 70.660.678,81 (2,29%). O caulim representou R$ 11.544.643,99 (0,37%), e as demais substâncias somaram R$ 29.420.751,89 (0,95%). Juntos, ferro, cobre e alumínio foram responsáveis por 96,39% de toda a arrecadação da CFEM paraense em 2025.
Ao apresentar os números, René de Oliveira destacou que a importância da CFEM vai além do volume arrecadado e está diretamente relacionada à capacidade de transformar esses recursos em desenvolvimento para os municípios mineradores.
“Esses números demonstram a força da mineração para a economia do Pará e reforçam a responsabilidade de aplicar esses recursos de forma estratégica, financiando investimentos que gerem desenvolvimento duradouro, infraestrutura, inovação e melhor qualidade de vida para a população”, afirmou o secretário.
Pará amplia protagonismo mineral
Dados apresentados em relatório pelo Simineral e Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (SEMAS) durante a programação também evidenciaram a dimensão alcançada pela mineração paraense. Entre 2014 e 2024, a produção mineral do Pará cresceu aproximadamente 150%, enquanto o crescimento brasileiro no mesmo período foi de cerca de 73%.
Em 2024, a produção mineral paraense chegou a 302,7 milhões de toneladas, equivalente a 18,4% da produção nacional. A participação do Estado é ainda mais expressiva em algumas commodities minerais: 69,6% da bauxita, 63,9% do cobre, 60,5% do caulim, 43,8% do manganês e 34,4% do minério de ferro produzidos no Brasil têm origem no Pará.
Indicadores ambientais e sociais também mostraram avanços relacionados às práticas do setor. No uso dos recursos hídricos, o reúso de água corresponde a 75% do consumo, com incremento médio de 45% nos últimos dez anos. O volume reutilizado chegou a 12,5 bilhões de metros cúbicos em 2025.
Na área de saúde e segurança do trabalho, o levantamento aponta que 100% dos trabalhadores cobertos por Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), 90% das empresas com programas de apoio à saúde mental, 100% dos contratos com terceiros com anexo específico de SST e 100% dos trabalhadores terceirizados treinados. A Taxa de Frequência de Acidentes (TFCA) apresentou média de 0,73, enquanto 90% das operações possuem gestão de prevenção de fatalidades implementada.
Cooperação para o desenvolvimento sustentável
A necessidade de ampliar a cooperação entre poder público e iniciativa privada também esteve entre os pontos destacados durante o Congresso. O secretário adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Rodolpho Zaluth Bastos, ressaltou que a dimensão alcançada pela atividade mineral no Pará aumenta também a responsabilidade de construir soluções capazes de conciliar produção, proteção ambiental e desenvolvimento social.
“Quando falamos de um Estado que produziu mais de 302 milhões de toneladas de minerais em 2024 e que possui participação tão expressiva na produção nacional de minerais estratégicos, fica evidente que desenvolvimento e sustentabilidade precisam ser construídos conjuntamente. A parceria entre poder público, setor produtivo e instituições é fundamental para avançarmos em inovação, eficiência no uso dos recursos naturais e geração de oportunidades para os territórios”, destacou Zaluth.
Para o presidente da FIEPA, Alex Carvalho, a participação no V Congresso Técnico Simineral reforça o compromisso do Sistema FIEPA em contribuir para que a mineração continue impulsionando o desenvolvimento econômico do Pará, mas de forma cada vez mais integrada à inovação, à industrialização, à qualificação profissional e ao fortalecimento dos fornecedores locais.
“Temos uma oportunidade histórica de transformar a riqueza mineral em um legado permanente para o Pará. Isso exige planejamento, diálogo entre as instituições e investimentos capazes de preparar os municípios para o futuro. Nosso compromisso é trabalhar para que a mineração impulsione uma indústria cada vez mais diversificada, inovadora e competitiva, gerando desenvolvimento, empregos, conhecimento e oportunidades para os paraenses muito além do ciclo da atividade mineral”, afirmou Alex Carvalho.










