FIEPA defende pacto regional para transformar potencial da Margem Equatorial em empregos e desenvolvimento

Foto: Comunicação Sistema FIEPA
Em painel da CBIC, Alex Dias Carvalho apresentou projeções econômicas, oportunidades para fornecedores locais e ações para preparar o Pará para a nova fronteira de petróleo e gás.
“O petróleo pode até estar no mar, mas o desenvolvimento precisa acontecer em terra.” A afirmação do presidente do Sistema FIEPA, Alex Dias Carvalho, sintetizou o desafio apresentado nesta quinta-feira (5), em Belém: transformar o potencial da Margem Equatorial em empregos, renda e oportunidades para a população da Região Norte.
Durante o painel “Margem Equatorial: Oportunidades para a Construção e o Desenvolvimento Regional”, no Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores 2026 – Norte, Carvalho defendeu um pacto entre os estados para evitar que a nova fronteira de petróleo e gás reproduza desigualdades históricas.
“Nós estamos diante de uma grande oportunidade de negócios e geração de renda local”, afirmou, ao destacar o paradoxo de uma região rica em recursos naturais, mas marcada por baixos indicadores de desenvolvimento humano.
Com base em estudos do Observatório da Indústria do Pará, o presidente apresentou projeções de quase R$ 32 bilhões em valor adicionado à economia com a Margem Equatorial — indicador que representa a riqueza gerada pela produção de bens e serviços, descontados os custos dos insumos utilizados. Ele ressaltou que os benefícios para o estado dependerão muito da participação de fornecedores locais nas contratações.
Para a construção civil, destacou oportunidades na implantação de bases logísticas, armazéns, oficinas, instalações portuárias e infraestrutura viária. Os impactos também poderão alcançar transporte, comércio, tecnologia, habitação e serviços.
Alex Dias Carvalho detalhou ainda a atuação integrada do Sistema FIEPA para preparar o setor produtivo, com inteligência de dados pelo Observatório da Indústria, conexão de fornecedores pela Redes FIEPA, qualificação profissional pelo SENAI e iniciativas do SESI, IEL e Instituto SENAI de Inovação. Também destacou a parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) para mapear e preparar fornecedores, além do potencial logístico de Belém e Barcarena para atender às operações.
O painel contou ainda com Ilso José de Oliveira, vice-presidente de Obras Industriais e Corporativas da CBIC; Celso Pimentel, vice-presidente da entidade; e Eduardo Aragon, sócio-diretor da BrainMarket.
Aragon ressaltou que as operações offshore, realizadas em alto-mar, dependem de uma ampla estrutura de apoio em terra, capaz de movimentar diferentes setores da economia. “A logística será determinante para o aproveitamento das oportunidades, envolvendo abastecimento de plataformas, transporte de trabalhadores, armazenamento de equipamentos, manutenção e serviços especializados”, explicou.
Para dimensionar os possíveis impactos, citou o exemplo de Macaé, no Rio de Janeiro, onde o desenvolvimento da indústria petrolífera impulsionou uma extensa cadeia de atividades econômicas. Segundo Aragon, só uma base logística no município pode envolver cerca de quatro mil trabalhadores, entre equipes embarcadas e de apoio terrestre. Ele também apresentou estimativas de demanda por 6,8 mil a 8,5 mil unidades habitacionais em cinco anos na região de Belém e Barcarena, em um cenário hipotético de expansão da produção de petróleo.
Aragon alertou, entretanto, que os resultados dependem da confirmação das reservas e do avanço dos projetos. Ele defendeu a antecipação do planejamento para que empresas locais possam disputar contratos e atender às exigências técnicas do setor. “Se nós não fizermos nada, o prato vem pronto”, afirmou, ao reforçar a necessidade de qualificar fornecedores antes da consolidação dos investimentos.
Ao conduzir os questionamentos do debate, Celso Pimentel destacou a dimensão das oportunidades para a construção civil e a importância de compreender as particularidades da indústria de petróleo e gás. O vice-presidente da CBIC lembrou que o setor convive com oscilações internacionais nos preços de matérias-primas e precisa desenvolver capacidade de adaptação para aproveitar novos mercados.
Pimentel também chamou atenção para o rigor das exigências ambientais e operacionais das atividades offshore, defendendo que o debate sobre os investimentos considere o conhecimento técnico e as experiências de outras regiões produtoras. Citou novamente Macaé como exemplo das transformações econômicas associadas à atividade petrolífera e classificou a Margem Equatorial como uma “oportunidade ímpar” para o desenvolvimento da Região Norte.
O encontro, promovido pela CBIC, com correalização do Sistema FIEPA e do Sinduscon-PA, reuniu lideranças da construção civil para discutir investimentos, infraestrutura e oportunidades de desenvolvimento regional.










