Entre o sonho e a escolha: os dilemas dos futuros médicos na definição da especialidade
Contraste do número de estudantes e residentes na medicina revela desafios emocionais, estruturais e mercadológicos

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No Brasil, mais de 575 mil médicos atuam em atividade, segundo a Demografia Médica 2024, do Conselho Federal de Medicina (CFM). Embora o número impressione e coloque o país à frente de potências como Estados Unidos, Japão e China, os dados do Panorama da Residência Médica revelam um contraponto preocupante: entre 2018 e 2024, o número de estudantes de medicina cresceu 71%, enquanto o de médicos residentes aumentou apenas 26%. Na prática, o dado indica uma desaceleração no interesse pela residência médica, etapa essencial para a formação especializada, e levanta questões sobre desenvolvimento profissional, qualidade do atendimento e humanização da saúde.
De acordo com Felipe Barata, psicólogo e docente do IDOMED, múltiplos fatores interferem na escolha da especialidade: desde afinidades pessoais e acesso a programas de residência até pressões familiares, questões financeiras e expectativas sobre qualidade de vida. “O estudante avalia o que gosta, onde pode atuar e o quanto isso se alinha à sua realidade e às oportunidades da região onde vive”, explica. “Remuneração, disponibilidade de bolsas e áreas com forte apelo de mercado também pesam nessa decisão.”
Atento a esse cenário, o IDOMED Carreiras surgiu para oferecer apoio estratégico e emocional aos alunos de medicina, auxiliando-os a planejar a trajetória profissional. O programa promove ações de acolhimento, autoconhecimento e orientação para o mercado de trabalho e o empreendedorismo, além de incentivar o reconhecimento de habilidades e perfis ideais para cada área médica.
“Investindo nesse aluno, escutando-o e oferecendo ferramentas de autodesenvolvimento, materiais informativos e experiências extramuros, ele consegue fazer uma escolha mais consciente e menos angustiante”, afirma Felipe. “Promovemos momentos de escuta individual e iniciativas como o Career Day (conexão com empregadores), Semana das Especialidades (imersão por áreas), IDOMED Talks (tendências), Portal de Carreiras (vagas e bolsas) e o Programa Embaixadores (liderança e planejamento).”
Em um contexto de rápidas transformações, como envelhecimento populacional, novas tecnologias, mudanças climáticas e desafios das políticas públicas, o perfil do profissional da saúde também precisa evoluir. Por isso, o desenvolvimento de soft skills e a humanização do cuidado são pilares do programa.
“Queremos formar profissionais aptos a conversar, interagir e trabalhar com pessoas, resgatando valores hipocráticos do cuidado e da escuta atenta. O médico do futuro deve unir técnica, empatia e domínio das novas tecnologias para lidar com o paciente em sofrimento”, conclui Felipe.










