Indústria do Pará inicia ano com a maior alta mensal do país e avanço puxado pela transformação

Foto: Comunicação FIEPA
A indústria do Pará iniciou 2026 com um desempenho marcado por forte recuperação no curto prazo, conforme apontam os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), analisados pelo Observatório da Indústria da FIEPA. Em janeiro, o estado registrou o maior crescimento mensal entre todas as unidades federativas analisadas, evidenciando um movimento de reação mais intenso frente a outros centros industriais do país. Apesar disso, os indicadores de comparação anual e de longo prazo ainda revelam uma expansão mais moderada, indicando um cenário de retomada gradual.
Na comparação com o mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal, a indústria geral paraense avançou 8,6%, desempenho que coloca o estado à frente de polos industriais consolidados como São Paulo, que cresceu 3,5%, e Minas Gerais, com alta de 3,2%. Esse resultado sinaliza um dinamismo relevante no início do ano, especialmente quando comparado ao ritmo de crescimento nacional.
Já na comparação com janeiro de 2025, a indústria do Pará apresentou crescimento de 0,5%, mesmo percentual observado no acumulado do ano, considerando que se trata do primeiro mês de 2026. No recorte dos últimos 12 meses, o avanço de 0,7% reforça uma trajetória de estabilidade com viés positivo, ainda que sem um crescimento mais robusto.
O principal deStaque do período foi o desempenho da indústria de transformação, que se apresentou como um forte motor da atividade industrial no estado. No acumulado de 2026, o segmento apresentou crescimento de 3,3%, impulsionado especialmente pelos setores de alimentos, bebidas e metalurgia. A fabricação de bebidas avançou 12,9%, seguida pela produção de celulose, papel e produtos de papel, com alta de 12,8%. A indústria de produtos alimentícios registrou crescimento de 9,3%, enquanto a metalurgia expandiu 9,0%. Esses resultados evidenciam a relevância de cadeias produtivas ligadas ao consumo e à agregação de valor, que vêm sustentando a recuperação industrial paraense.
Por outro lado, o desempenho da indústria foi heterogêneo entre os diferentes segmentos. A fabricação de produtos de minerais não metálicos apresentou queda expressiva de 35,1%, configurando o principal impacto negativo sobre o resultado geral. O setor de produtos de madeira também registrou retração, com recuo de 11,3%. Já as indústrias extrativas tiveram leve variação negativa de 0,1%, indicando estabilidade, mas sem contribuição significativa para o crescimento no início do ano.
“O cenário observado em janeiro aponta para uma indústria em processo de ajuste, com sinais claros de recuperação no curto prazo, mas ainda em busca de maior consistência no médio e longo prazo. O avanço da indústria de transformação reforça o potencial de diversificação e agregação de valor da economia paraense, ao mesmo tempo em que evidencia a necessidade de enfrentar os desafios estruturais de segmentos com desempenho negativo. A consolidação desse movimento ao longo de 2026 será fundamental para sustentar um ciclo mais robusto de crescimento industrial no estado. Já a redução na mineração não está relacionada à produção, mas sim à reação ao mercado externo”, avalia o gerente do Observatório, Felipe Freitas.









