Belém, Ananindeua e Marituba têm alta de lançamentos, vendas aquecidas e preço do m² em trajetória de forte valorização no 3º trimestre de 2025

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O mercado imobiliário vertical de Belém e Região Metropolitana segue em rota de expansão e consolidação. Dados do 30º Censo Imobiliário de Belém, Ananindeua e Marituba, referentes ao 3º trimestre de 2025, apontam combinação de mais lançamentos, boas vendas e continuidade da alta de preços, com o metro quadrado registrando valorização de dois dígitos em 12 meses.
De acordo com o estudo, elaborado pela Brain Inteligência Estratégica para o Sinduscon-PA, o Valor Geral de Vendas (VGV) lançado em empreendimentos verticais na capital e na Região Metropolitana praticamente dobrou no comparativo mais recente, com alta de 51,6% no acumulado de 12 meses encerrados em setembro de 2025 frente ao mesmo período de 2024, somente em Belém. Na Região Metropolitana, embora haja oscilações, a tendência também é de fortalecimento do volume financeiro dos projetos.
Lançamentos se expandem e Belém puxa o movimento
O número de unidades verticais lançadas em Belém e na Região Metropolitana mostra retomada consistente depois de períodos de forte oscilação. No acumulado de janeiro a setembro de 2025, a quantidade de novas unidades cresceu 19,2% em relação ao mesmo intervalo de 2024, considerando Belém, e 34% na Região Metropolitana. Em alguns recortes, o avanço é ainda mais expressivo quando se observam nichos específicos, como o faixa MCMV (Minha Casa, Minha Vida).
Nos lançamentos por tipologia em Belém, dois dormitórios seguem como o coração do mercado, respondendo por quase metade da oferta recente. Já na distribuição por padrão, compactos e produtos MCMV aparecem com peso relevante, mas observa-se também a presença consistente dos segmentos médio e de luxo, o que reforça a diversidade de produtos e perfis de público atendidos.
Do ponto de vista territorial, bairros como São Brás, Coqueiro e Nazaré concentram boa parte dos novos empreendimentos verticais em Belém. Quando se observa o recorte Belém + Região Metropolitana, os lançamentos ainda se mantêm fortemente ancorados na capital, que responde pela maior fatia das unidades ofertadas.
Vendas sólidas e VGV em alta
As vendas de imóveis verticais também mantêm ritmo robusto. No acumulado de 12 meses até setembro de 2025, o número de unidades vendidas em Belém cresceu 32,3% em relação a setembro de 2022 e 18,7% na comparação com setembro de 2023; de 2024 para 2025 há leve ajuste (-1,9%), depois de um ciclo de forte expansão, o que indica acomodação em patamar elevado.
Em termos de VGV vendido, a trajetória é ainda mais expressiva. O volume financeiro das unidades verticais comercializadas em Belém avança de forma consistente desde 2022: a variação acumulada em 12 meses mostra alta de 27% entre setembro de 2022 e setembro de 2023, 38% de 2023 para 2024 e mais 38,3% de 2024 para 2025. Na prática, isso significa queo mercado não apenas vende mais, como vende produtos com tíquete médio mais elevado.
Preços sobem acima da inflação e mostram força da demanda
A evolução dos preços do metro quadrado confirma o aquecimento. Em Belém, o valor médio do m² em empreendimentos verticais passou de R$ 8.341 no 3º trimestre de 2022 para R$ 11.627 no 3º trimestre de 2025, uma valorização de 39,4% no período, com variação de 15,6% apenas na comparação entre 3T22 e 3T23. Nos últimos trimestres, o ritmo de alta segue firme, ainda que com oscilações pontuais.
Quando se observa por tipologia, a alta é generalizada. Unidades de um dormitório alcançaram preço médio de R$ 13.174/m², enquanto os imóveis de quatro dormitórios ultrapassaram a faixa de R$ 14 mil/m², consolidando-se como nicho de alto padrão. Nos imóveis de dois e três dormitórios, que concentram a maior parte da demanda familiar, os preços médios giram em torno de R$ 9.128/m² e R$ 11.644/m², respectivamente.
Os tíquetes médios também revelam um mercado mais sofisticado: em Belém, o valor médio de um imóvel de três dormitórios já se aproxima de R$ 1,4 milhão, enquanto apartamentos de quatro dormitórios superam a faixa dos R$ 3,5 milhões. No recorte por padrão, empreendimentos de luxo e superluxo apresentam tíquetes médios que podem ultrapassar R$ 6 milhões, reforçando o apetite do público de alta renda por produtos diferenciados.
Oferta mais enxuta e estoques sob controle
Apesar da sequência de lançamentos, a oferta final de unidades verticais permanece sob controle, indicando que o mercado absorve bem o que chega às prateleiras. Em Belém, o estoque passou por ciclos de alta e baixa, mas os dados do 3º trimestre de 2025 mostram estabilidade relativa, com leve redução da oferta em relação ao mesmo período de 2024.
Na análise por padrão, a capital apresenta forte presença de produtos compactos e econômicos, mas também uma parcela relevante de unidades standard, médio, alto e luxo – o que revela uma pirâmide de oferta mais equilibrada, apta a atender desde o comprador do primeiro imóvel até o investidor de altíssimo padrão. Na Região Metropolitana, por sua vez, o foco está nos segmentos econômico e standard, com valores mais acessíveis.
Perfil da oferta: dois dormitórios lideram, mas alto padrão ganha espaço
Na fotografia atual do mercado residencial vertical, as unidades de dois dormitórios lideram a oferta final em Belém, representando 47,6% do estoque. Em seguida vêm os imóveis de um dormitório (20,3%), três dormitórios (20,6%) e quatro ou mais dormitórios (11,5%). Na Região Metropolitana, a predominância dos dois dormitórios é ainda maior, com 76% da oferta, enquanto os três dormitórios representam 24%.
Na segmentação por faixa de preço, Belém concentra a maior parte das unidades nos padrões compacto, econômico e standard, mas chama atenção o peso do alto padrão: somados, médio, alto, luxo e superluxo respondem por mais de um terço da oferta. Isso reforça a tendência de verticalização com foco em localização estratégica, serviços agregados, lazer completo e diferenciais de projeto arquitetônico.
Horizontal e escritórios: mercado complementar em consolidação
O Censo também avaliou o mercado residencial horizontal, que abrange casas em condomínio, loteamentos fechados e abertos. Em Belém, 93,9% da oferta lançada já foi vendida, restando apenas 6,1% de disponibilidade, o que demonstra elevada absorção desses produtos. Loteamentos abertos apresentam o maior volume de unidades lançadas, enquanto casas em condomínio e loteamentos fechados operam com estoques reduzidos e alto índice de vendas.
Quanto ao mercado de escritórios e à análise do VGV geral na Região Metropolitana, os dados apontam um cenário de consolidação, com oferta relativamente enxuta e movimentos pontuais de novos projetos, especialmente em eixos de expansão urbana e áreas com melhor infraestrutura de serviços.
Leitura do momento: ciclo de valorização e oportunidades
A combinação de VGV em alta, evolução consistente dos preços e estoques sob controle indica que Belém, Ananindeua e Marituba atravessam um ciclo de valorização do mercado imobiliário, ancorado em demanda ainda aquecida. Para incorporadoras e loteadoras, o cenário é de oportunidades, sobretudo para projetos bem planejados, com foco em localização e diferenciais de produto.
Para o comprador, o recado dos números é claro: o metro quadrado valorizou e continua em trajetória de alta, especialmente em tipologias de maior valor agregado. Isso torna a tomada de decisão mais estratégica – tanto para quem busca moradia quanto para quem enxerga o imóvel como reserva de valor e ativo de investimento de longo prazo.









